Atualizado em 25 de Março de 2026

Criado por Suelen Santos da Costa - Nutricionista

Criado por humano

Carregando...

Dieta anti-inflamatória: o que comer, o que evitar, cardápio

Dieta anti-inflamatória prioriza alimentos naturais ricos em antioxidantes e gorduras saudáveis, ajudando a reduzir inflamações e prevenir doenças crônicas.

Ela inclui frutas, vegetais, especiarias, peixes e boas fontes de gordura, enquanto limita açúcar, ultraprocessados e gorduras prejudiciais.

Esse padrão alimentar contribui para o equilíbrio do organismo e pode favorecer a saúde de forma contínua ao longo do tempo.

O que é dieta anti-inflamatória?

A dieta anti-inflamatória é uma estratégia alimentar com foco no combate natural dos processos inflamatórios, ajudando a desinflamar o corpo e atuando na prevenção e no auxílio do tratamento de doenças e complicações.

Nela, todos os alimentos pró-inflamatórios são evitados. Além disso, a inclusão de uma alimentação anti-inflamatória com alimentos específicos também é realizada.

Por outro lado, uma dieta inflamatória está entre as principais causas da inflamação crônica silenciosa e pode predispor a diabetes, câncer, artrite e doenças do coração. Ela se dá através da constante ingestão de alimentos ricos em toxinas e substâncias pró-inflamatórias.

Entre os alimentos a evitar em uma dieta anti inflamatória estão:

  • embutidos, como linguiça, salame, salsicha, presunto e bacon;
  • glúten, incluindo pães, bolos, pizzas e massas em geral preparadas com farinha branca;
  • refrigerantes e bebidas alcoólicas;
  • alimentos fritos;
  • produtos que contêm conservantes.

No entanto, algumas dietas anti-inflamatórias são extremas e exigem a eliminação de grandes grupos de alimentos, como trigo, milho, soja, laticínios, ovos e carne vermelha, de acordo com a ciência

Sendo assim, é importante ressaltar que planos alimentares restritivos, que excluem totalmente alimentos considerados pró-inflamatórios, são questionáveis ​​por alguns profissionais.

O que comer para desinflamar o corpo? Conheça os alimentos permitidos

“Alimentos da dieta anti inflamatória” já são reconhecidos pela ciência por exercerem fortes efeitos nas vias inflamatórias dentro do corpo, atuando assim, contra a inflamação.

Segundo um estudo de revisão sobre a dieta anti-inflamatória na prática clínica, tal padrão alimentar deve incluir alimentos integrais, à base de plantas, ricos em gorduras saudáveis ​​e fitonutrientes. Além disso, deve manter uma resposta glicêmica estável.

Um exemplo notável desse tipo de dieta é a mediterrânea, criada na década de 1950. Um estudo randomizado publicado em 2014, realizado com indivíduos predispostos a doenças cardiovasculares, mostrou que a adesão a esse padrão alimentar diminui marcadores de inflamação e está associada à redução da morbidade e mortalidade por essas enfermidades. 

Outra meta-análise, publicada em 2017 na revista "Public Health Nutrition", indicou que uma dieta rica em grãos, frutas, vegetais, legumes e nozes, sem alimentos de origem animal, pode reduzir o marcador pró-inflamatório PCR.

De acordo com os autores, uma dieta vegetariana pode ser útil para controlar a inflamação a longo prazo, especialmente se seguida por um período de dois anos.

O cardápio anti-inflamatório deve ser indicado por um nutricionista. Nele, poderão conter alimentos e até suplementos anti-inflamatórios. Veja a seguir a lista de possibilidades:

Ervas aromáticas e temperos naturais:

  • alecrim;
  • orégano;
  • tomilho;
  • coentro;
  • salsa;
  • hortelã;
  • cúrcuma (açafrão-da-terra);
  • canela;
  • curry;
  • alho;
  • cravo;
  • gengibre;
  • cebola.

Fontes de ômega-3:

  • ômega-3 vegano;
  • peixes, como atum, sardinha, cavala e salmão.

Sementes:

  • linhaça;
  • chia;
  • abóbora;
  • gergelim.

Frutas cítricas:

  • laranja;
  • acerola;
  • goiaba;
  • limão;
  • tangerina;
  • abacaxi.

Frutas vermelhas:

  • morango;
  • mirtilo;
  • framboesa;
  • uva;
  • açaí;
  • cereja;
  • romã;
  • melancia.

Oleaginosas:

  • amêndoas;
  • amendoim;
  • nozes;
  • castanha-do-pará.

Probióticos:

  • iogurte natural;
  • kombucha;
  • kefir.

Legumes:

  • brócolis;
  • couve-flor;
  • repolho;
  • espinafre;
  • alface;
  • cenoura;
  • tomate.

Óleos vegetais:

  • azeite de oliva;
  • óleo de abacate;
  • óleo de linhaça.

Outros:

  • abacate;
  • astaxantina;
  • própolis.

É importante optar por alimentos orgânicos ou da estação sempre que possível. Alimentos orgânicos são cultivados sem pesticidas e fertilizantes sintéticos, reduzindo a ingestão de substâncias químicas, potencialmente prejudiciais e que podem contribuir para a inflamação. Alimentos da estação, por sua vez, são menos propensos a conter conservantes e aditivos químicos, favorecendo uma dieta anti-inflamatória.

É fundamental lembrar que o que é considerado saudável para uma pessoa pode não ser necessariamente saudável para outra. Esse princípio é fundamental no campo da nutrição funcional, onde cada indivíduo é único e suas necessidades alimentares podem variar significativamente. 

Por isso, um nutricionista funcional avalia a saúde intestinal antes de iniciar uma dieta anti-inflamatória, pois ela influencia diretamente na absorção de nutrientes e na modulação da resposta inflamatória do corpo. Caso algum alimento da lista não faça bem para você, é importante não consumi-lo.

Aproveite e veja também

Cardápio para dieta anti-inflamatória

Mas afinal, como fazer dieta anti inflamatória na prática? A seguir, será apresentado um exemplo de cardápio, mas é importante ressaltar que a consulta com um nutricionista é fundamental para personalizar o plano alimentar de acordo com as necessidades individuais e garantir a adequação nutricional. 

Confira um exemplo sem quantidades pré-estabelecidas:

CSS Selectors
Segunda-feira Terça-feira Quarta-feira Quinta-feira Sexta-feira Sábado Domingo
Café da manhã Pastinha de frutas vermelhas (morango, mirtilo e framboesa) com iogurte natural e chia Smoothie de aveia com leite de amêndoas, banana e canela Pão integral com ovos, abacate e sementes de gergelim Suco verde com abacaxi, couve, maçã e linhaça Salada de frutas e sementes de chia Pão de batata-doce sem glúten com hummus e tomate cereja Smoothie de mamão com leite de aveia
Lanche da manhã Amêndoas e uma maçã Laranja e algumas castanhas-do-pará Acerola e um punhado de amendoins Tangerina e algumas nozes Kiwi e pistache Melancia e algumas sementes de abóbora Tangerina e algumas oleaginosas de preferência
Almoço Salada de folhas verdes (espinafre e alface) com, tomate, cenoura ralada e azeite de oliva Filé de salmão grelhado com limão e alecrim Quinoa cozida Salada de grão-de-bico com tomate, pepino, coentro e azeite de oliva Frango grelhado com cúrcuma Arroz integral Salada de quinoa com legumes (cenoura, pepino e pimentão) e azeite de oliva Frango assado com alho e alecrim Batata-doce Salada de folhas verdes (alface e rúcula) com abacate, tomate e azeite de oliva Filé de cavala grelhado com limão e ervas aromáticas Batata-inglesa Salada de espinafre com nozes, queijo feta e azeite de oliva Filé de frango grelhado com curry Arroz 7 grãos Salada de grão-de-bico com tomate, pepino, coentro e azeite de oliva Frango assado com cúrcuma Mandioca Salada de folhas verdes (alface e rúcula) com abacate, tomate e azeite de oliva Filé de cavala grelhado com limão e ervas aromáticas Arroz negro.
Lanche da tarde Palitos de cenoura e pepino com húmus Smoothie verde (couve, abacaxi, limão e gengibre) Iogurte natural com mel e nozes Banana com manteiga de amendoim Smoothie de frutas vermelhas (cereja e romã) com kefir Smoothie verde (couve, abacaxi, limão e gengibre) Pão de batata-doce sem glúten com ovo
Jantar Sopa de legumes (brócolis, couve-flor e repolho) com gengibre Peixe (atum ou sardinha) assado com alho e ervas aromáticas Brócolis ao vapor Sopa de lentilha com cenoura e cúrcuma Legumes assados (brócolis, couve-flor e abóbora) com cúrcuma e gengibre Peixe (salmão) assado com alho e ervas aromáticas Brócolis ao vapor Sopa de legumes (brócolis, couve-flor e repolho) com gengibre Legumes assados (brócolis, couve-flor e abóbora) com cúrcuma e gengibre

Benefícios da dieta anti-inflamatória

A dieta anti-inflamatória não é apenas um regime alimentar, mas também um estilo de vida projetado para ajudar a combater naturalmente os processos inflamatórios crônicos e silenciosos no corpo humano. Ela pode ser especialmente benéfica para condições como sinusite, fibromialgia e doença de Crohn. Além disso, é interessante para:

Diabetes

A inflamação é uma das principais causas de diversas doenças crônicas, incluindo a diabetes. A dieta anti-inflamatória, que, como visto, exclui alimentos que podem estimular a inflamação e inclui alimentos que reduzem a inflamação, pode melhorar os biomarcadores inflamatórios em diabéticos e pré-diabéticos.

Certos tipos de câncer

Alimentos e marcadores inflamatórios são fatores de risco estabelecidos para o câncer. Um estudo que avaliou 1.064 mulheres sobreviventes do câncer de mama, relatou que a dieta anti-inflamatória mantida a longo prazo pode ser um meio de melhorar a sobrevida desses pacientes.

Artrite

A artrite reumatoide é uma doença que afeta as articulações, levando ao aumento da inflamação, destruição, perda de função e incapacidade. Um estudo que teve como objetivo investigar se uma dieta anti-inflamatória iria reduzir a atividade da doença, observou efeitos positivos na adesão.

Doenças do coração

Muitos estudos epidemiológicos relatam que o maior consumo de peixes, ricos em ácidos graxos poli-insaturados, está associado a um menor risco de doença arterial coronariana e derrame. Esses efeitos decorrem da ação anti-inflamatória, sendo essa a principal responsável pela prevenção de aterosclerose.

Referências

Este conteúdo possui caráter informativo e é baseado em literatura científica. O uso de suplementos alimentares deve ser avaliado por profissional de saúde, especialmente em casos de gestantes, lactantes, pessoas com condições clínicas ou em uso de medicamentos. A rotulagem dos produtos segue as diretrizes regulatórias da Anvisa.

Foto de Suelen Santos da Costa

Conteúdo criado por especialista:

Suelen Santos da Costa

Nutricionista

Este artigo foi escrito por Suelen Costa dos Santos, nutricionista (CRN 10 – 7816), formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Possui pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP – Centro de Nutrição Funcional, uma das instituições mais renomadas da área. Seu trabalho é guiado pelos princípios da nutrição funcional, com foco na promoção da saúde e na individualidade bioquímica.

Saiba mais sobre Suelen Santos da Costa