Atualizado em 04 de Julho de 2025

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Síndrome de Down é hereditária? Causas e fatores de risco

Ilustração sobre Síndrome de Down
Ilustração sobre Síndrome de Down

A pergunta, "Síndrome de Down é hereditária?", desperta muita curiosidade, especialmente entre famílias que têm histórico da condição ou planejam uma nova gestação. Embora a maioria dos casos não esteja relacionada à hereditariedade, existe uma pequena parcela em que fatores genéticos podem ser transmitidos pelos pais, aumentando a probabilidade da condição.

Além disso, questões, como a idade materna, contribuem para as causas. Com os avanços nos exames genéticos e no acompanhamento pré-natal, é possível entender melhor as ocorrências e os fatores de risco, garantindo um planejamento familiar mais seguro e informado. Quer entender como tudo isso funciona? Continue a leitura!

Síndrome de Down pode ser genética ou hereditária?

A Síndrome de Down, também conhecida como Trissomia 21, é uma condição causada pela presença de um cromossomo 21 extra em todas ou em algumas células do organismo. Isso resulta em um total de 47 cromossomos por célula, em vez dos 46 normalmente encontrados. Essa anomalia cromossômica é a causa mais comum de deficiência intelectual e ocorre independentemente de fatores hereditários, na maioria dos casos.

Síndrome de Down: genética, mas não geralmente hereditária?

Embora a Síndrome de Down seja, sem dúvida, uma condição genética, sua ocorrência é majoritariamente esporádica. Isso significa que, em grande maioria, ela não é transmitida dos pais para os filhos. A principal causa é um erro no processo de divisão celular durante a formação do óvulo ou espermatozoide, conhecido como não disjunção, que resulta na cópia extra do cromossomo 21.

Essa alteração pode acontecer em qualquer pessoa, independentemente de histórico familiar ou condições de saúde. No entanto, alguns fatores de risco podem aumentar a probabilidade. Por exemplo, estudos mostram que mulheres acima de 35 anos têm maior chance de gerar um bebê com Síndrome de Down, além de outras anomalias cromossômicas. De acordo com esse fator, conheça quais as chances do bebê nascer com Síndrome de Down​:

  • 25 anos: 1 em cada 1.300 nascimentos;
  • 35 anos: 1 em cada 350 nascimentos;
  • 40 anos: 1 em cada 100 nascimentos.

Quando a Síndrome de Down pode ser hereditária?

Apesar de ser rara, existe uma situação em que a Síndrome de Down pode ser hereditária. Cerca de 4% a 6% dos casos estão associados a uma condição chamada Translocação Robertsoniana. Nesse cenário, parte de um cromossomo 21 se liga a outro cromossomo (geralmente o 14 ou o 21), criando uma alteração genética que pode ser passada de geração para geração.

Os portadores dessa translocação, na maioria das vezes, não apresentam sintomas, mas podem transmitir a alteração para seus filhos. Se o embrião herdar um cromossomo 21 extra devido à translocação, a criança nascerá com Síndrome de Down. Esse tipo de herança requer atenção especial em famílias com histórico da condição, pois ele pode afetar futuras gestações.

Quando uma criança nasce com Síndrome de Down causada por translocação, exames, como o de cariótipo, podem identificar se um dos pais é portador dessa alteração genética. Esse exame é essencial para avaliar o risco de recorrência em futuras gestações e para oferecer alternativas, como:

  • aconselhamento genético: ajuda os pais a entenderem os riscos e possibilidades reprodutivas;
  • tratamentos pré-concepcionais: incluem técnicas, como a fertilização in vitro com análise genética embrionária;
  • planejamento familiar mais seguro: tranquiliza os pais ao reduzir as incertezas sobre novas gestações.

No Brasil, o acesso ao diagnóstico completo ainda é limitado, principalmente no sistema público de saúde. Muitos bebês nascidos pelo SUS não realizam o exame de cariótipo, deixando pais e profissionais sem informações essenciais para decisões futuras.

Afinal, a Síndrome de Down é hereditária ou genética?

Essa condição é geneticamente determinada e, na maioria dos casos, não é hereditária. Casos em que a Síndrome de Down passa de pai para filho existem​, embora sejam raros, devido à Translocação Robertsoniana. Para famílias com histórico da condição, a realização de um teste genético é interessante para compreender os riscos e planejar com segurança. Inclusive, podem ser feitos pelos pais antes do nascimento.

Fatores de risco para Síndrome de Down e o que a causa?

Na maioria dos casos, a probabilidade de Síndrome de Down em uma gestação ocorre de forma aleatória, mas existem fatores de risco que podem aumentá-la. Compreender esses fatores é crucial para o planejamento familiar e para garantir um acompanhamento pré-natal adequado, oferecendo maior segurança para os pais e o bebê.

O que causa a Síndrome de Down?

Como explicado, a principal causa da Síndrome de Down é um erro durante a divisão celular (não disjunção), que leva à formação de um óvulo ou espermatozoide com um cromossomo 21 a mais. Quando este gameta anômalo se combina com outro normal, o embrião resultante terá três cópias do cromossomo 21, em vez de duas.

Principais fatores de risco

1. Idade materna

A idade materna é amplamente reconhecida como o principal fator de risco para a Síndrome de Down. Mulheres acima de 35 anos possuem maior probabilidade de gerar um bebê com alterações cromossômicas. Isso ocorre devido ao envelhecimento natural dos óvulos, que aumenta a chance de erros durante a divisão celular.

Estatísticas demonstram como esse risco cresce com a idade: aos 25 anos, a probabilidade de ter um bebê com Síndrome de Down é de 1 em 1.300 nascimentos; aos 35 anos, essa chance sobe para 1 em 350 nascimentos; e, aos 40 anos, alcança 1 em cada 100 nascimentos. Esses dados reforçam a importância de um acompanhamento médico detalhado durante a gestação, especialmente para mulheres com idade avançada.

2. Histórico familiar de alterações genéticas

Embora a maioria dos casos de Síndrome de Down não seja hereditária, famílias com histórico de alterações cromossômicas, como a Translocação Robertsoniana, apresentam maior risco. Esse tipo de translocação ocorre quando um dos pais é portador de um rearranjo genético equilibrado que pode ser transmitido ao bebê, resultando na condição.

3. Idade paterna

Embora o impacto seja menor em comparação com a idade materna, homens mais velhos podem contribuir para um ligeiro aumento no risco de alterações cromossômicas, inclusive a Síndrome de Down, devido a possíveis mutações em espermatozoides ao longo do tempo.

Exames de detecção para Síndrome de Down​

O diagnóstico da Síndrome de Down, ou Trissomia 21, envolve a identificação de alterações cromossômicas que causam essa condição. Com os avanços da medicina, existem diferentes exames que podem detectar essa alteração ainda na gestação ou após o nascimento, garantindo um acompanhamento adequado para a criança e tranquilidade para os pais.

Vamos detalhar os principais testes disponíveis e suas aplicações:

Exames durante a gestação

1. Exame de rastreamento pré-natal não invasivo (NIPT)

O NIPT (Non-Invasive Prenatal Testing) é um dos métodos mais modernos e eficazes para rastrear alterações cromossômicas no bebê. Esse exame analisa o DNA fetal presente no sangue da mãe, coletado por meio de uma simples amostra de sangue, o que o torna totalmente seguro para o feto e para a gestante. Ele pode ser realizado a partir da 10ª semana de gestação.

Além da Síndrome de Down (Trissomia 21), o NIPT detecta outras condições, como:

  • Síndrome de Edwards (Trissomia 18);
  • Síndrome de Patau (Trissomia 13);
  • Aneuploidias dos cromossomos sexuais, como as síndromes de Turner e Klinefelter.

Embora o NIPT seja extremamente preciso, ele é um exame de triagem, ou seja, não fornece um diagnóstico definitivo. Caso o resultado indique alterações, exames complementares podem ser necessários para confirmar.

2. Translucência nucal (ultrassom morfológico)

Realizado entre a 11ª e 14ª semanas de gestação, esse ultrassom mede a espessura da nuca do feto. Um aumento na translucência pode indicar um risco maior de alterações cromossômicas, como a Síndrome de Down, além de outras condições genéticas ou cardíacas.

3. Testes invasivos: biópsia de vilo corial e amniocentese

  • Biópsia de vilo corial: feita entre a 10ª e 13ª semanas, envolve a coleta de células da placenta para análise do cariótipo fetal;
  • Amniocentese: geralmente realizada após a 15ª semana, utiliza uma amostra do líquido amniótico para análise genética.

Ambos os exames oferecem um diagnóstico definitivo, mas são invasivos e apresentam um pequeno risco de complicações, como infecções ou aborto.

Exames pós-natais

Após o nascimento, o diagnóstico da Síndrome de Down é confirmado por meio de um exame chamado cariótipo, que analisa os cromossomos do bebê. Esse exame identifica:

  • A presença de três cópias do cromossomo 21 (trissomia clássica);
  • Alterações, como a Translocação Robertsoniana, que pode ter origem hereditária;
  • Casos de mosaicismo, em que apenas algumas células possuem a trissomia.

Quem deve realizar esses exames?

Embora qualquer gestante possa optar por exames de triagem, eles são especialmente recomendados em situações específicas, como:

  • Mulheres com mais de 35 anos;
  • Histórico familiar de alterações cromossômicas, como a Translocação Robertsoniana;
  • Resultados anormais em exames de ultrassom ou triagem sérica;
  • Gestações anteriores afetadas por aneuploidias.

Converse com seu médico sobre as opções de exames disponíveis para acompanhar o desenvolvimento do bebê desde os primeiros momentos.

Foto de Suelen Santos da Costa

Conteúdo criado por especialista:

Suelen Santos da Costa

Nutricionista

Este artigo foi escrito por Suelen Costa dos Santos, nutricionista (CRN 10 – 7816), formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Possui pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP – Centro de Nutrição Funcional, uma das instituições mais renomadas da área. Seu trabalho é guiado pelos princípios da nutrição funcional, com foco na promoção da saúde e na individualidade bioquímica.

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