Atualizado em 03 de Julho de 2025

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Síndrome de Pickwick: causas, sintomas e tratamento

Ilustração sobre Síndrome de Pickwick
Ilustração sobre Síndrome de Pickwick

A Síndrome de Pickwick, ou Síndrome da Hipoventilação da Obesidade (SHO), é uma condição de saúde que compromete o funcionamento das vias respiratórias em decorrência da obesidade e suas consequências à saúde.

Entenda mais sobre a Síndrome de Pickwick: tratamento, diagnóstico e sintomas.

O que é a Síndrome de Pickwick?

Também conhecida como Síndrome da Hipoventilação da Obesidade (SHO), a Síndrome de Pickwick é um distúrbio respiratório caracterizado por baixa oxigenação e retenção de dióxido de carbono no sangue, associada à obesidade grave.

Desde as primeiras descrições da doença, o que mais chamou a atenção foram as ocorrências de apneia, o nome dado ao momento do sono em que a pessoa para completamente de respirar devido a problemas respiratórios, podendo levar segundos a minutos e ocorrer dezenas ou até centenas de vezes durante a noite, um sério risco para a saúde.

Mesmo após mais de cinquenta anos de estudos e com o conhecimento atual sobre os tratamentos disponíveis e a fisiopatologia do distúrbio, além do aumento da obesidade no Brasil e no mundo, a síndrome de Pickwick ainda é pouco conhecida.

O que causa a Síndrome de Pickwick?

Na Síndrome de Pickwick, a causa principal é a obesidade, pois o excesso de peso pode levar à compressão do tórax e dificultar a expansão do diafragma, prejudicando a troca gasosa e resultando na hipoventilação. Veja como acontece a fisiopatologia da Síndrome de Pickwick​:

  • alterações na função pulmonar: pessoas obesas com Síndrome de Pickwick costumam ter a capacidade pulmonar reduzida em cerca de 20% e ventilação máxima cerca de 40% menor do que as pessoas obesas sem hipoventilação. Além disso, a força de inspiração e a respiração em repouso também são menores, além da flexibilidade da parede torácica estar reduzida;
  • aumento da resistência nas vias aéreas superiores: que também pode contribuir para a falta de oxigênio. Vários estudos sugerem que características anatômicas das vias aéreas superiores são bons indicadores para problemas respiratórios em pessoas com obesidade grave;
  • alteração no controle de ventilação: em pessoas obesas, normalmente o corpo compensa o aumento do peso aumentando a ventilação, mas, naqueles com a Síndrome de Pickwick, essa resposta não é tão eficaz ou até diminui;

Entretanto, a obesidade não está sozinha, outros fatores também podem contribuir para o quadro, como sedentarismo (que enfraquece o sistema cardiorrespiratório), problemas respiratórios já existentes (como asma e doença respiratória obstrutiva) e até a genética tem seu papel no desenvolvimento de Síndrome de Obesos Pickwick.

Sintomas e diagnóstico da Síndrome de Pickwick?

A Síndrome de Pickwick tem seu diagnóstico​ baseado nos sintomas clínicos e exames, além da presença da obesidade (IMC acima de 30) e sinais que indiquem síndrome de hipoventilação ou apneia obstrutiva.

O exame inicial inclui o uso da escala de sonolência de Epworth e a verificação de sintomas da Síndrome de Pickwick, como sonolência ou cansaço durante o dia, dor de cabeça pela manhã (causada pela hipercapnia), falta de ar durante o dia, aumento de células vermelhas no sangue (policitemia), dificuldades de concentração, perda de memória, depressão e problemas cardíacos ou pulmonares.

Além de verificar a existência desses sintomas, também é importante excluir outras causas possíveis, como doenças pulmonares ou cardíacas. Por isso, é fundamental uma avaliação completa, incluindo exames neurológicos, cardíacos e pulmonares.

Também é recomendado que o paciente faça uma série de exames a fim de diagnosticar a síndrome, como testes de função pulmonar, eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma transtorácico, gasometria arterial (preferencialmente pela manhã), hemograma completo e, claro, a polissonografia noturna.

Tratamentos para a Síndrome de Pickwick

O tratamento da Síndrome de Pickwick pode envolver técnicas como ventilação não invasiva ou a traqueostomia, além de medidas para perda de peso, fisioterapia respiratória e controle de comorbidades, como hipertensão, síndrome metabólica, cor pulmonale e aumento de células vermelhas no sangue.

O objetivo do tratamento é, principalmente, normalizar a ventilação durante o sono e reduzir o peso do paciente, com foco na diminuição da PACO2 (pressão de dióxido de carbono no sangue), prevenção da queda de oxigênio no sangue (dessaturação), controle da eritrocitose (aumento de células vermelhas), da hipertensão pulmonar e alívio da sonolência excessiva (hipersonia).

Em alguns pacientes, também é indicada a realização da cirurgia bariátrica, caso outras tentativas de perda de peso não tenham sido bem sucedidas e veja uma grande possibilidade de melhora do quadro após a intervenção, levando em conta os riscos que ela traz.

Ademais, o uso de suplementos pode auxiliar na melhora da qualidade de vida do paciente no decorrer do tratamento, como é o caso da coenzima Q10, que atua na produção de energia celular e na melhora da fadiga.


Referências

Foto de Joana Mazzochi Aguiar

Conteúdo criado por especialista:

Joana Mazzochi Aguiar

Nutricionista

Este artigo foi escrito por Joana Mazzochi Aguiar, nutricionista (CRN 10 – 10934), formada pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). É especialista em Atendimento Nutricional para Cirurgia Bariátrica e atualmente cursa pós-graduação em Saúde da Mulher e Estética pela VP – Centro de Nutrição Funcional, uma das instituições mais renomadas da área. Seu trabalho é guiado pelos princípios da nutrição funcional e do cuidado integral à saúde feminina.

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