Síndrome das Pernas Inquietas: causas, sintomas e como tratar
A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é um distúrbio neurológico que provoca desconforto e uma sensação persistente de inquietação nas pernas, que costuma piorar à noite e melhorar com o movimento. Acompanhe abaixo e descubra o que é síndrome das pernas inquietas, causas e como aliviar
Quais são os sintomas da Síndrome das Pernas Inquietas?
Os sintomas de síndrome das pernas inquietas envolvem estímulos sensoriais anormais nas pernas, gerando grande desconforto ao paciente, como sensação de agulhadas, coceira intensa, irritação e inquietação – o que justifica o nome da síndrome.
O diagnóstico é feito, principalmente, com base na história clínica e nos sintomas relatados pelo paciente. Existem uma escala desenvolvida pelo Grupo Internacional de Estudos da SPI (IRLSSG), que propõe a presença de 4 critérios mínimos para auxiliar no diagnóstico clínico da síndrome, são eles:
- desejo espontâneo de mover as pernas, geralmente associado a parestesia (formigamento) ou disestesia, que ocorrem na ”profundidade” dos membros, não na superfície da pele;
- sensação de inquietude, hábito de mexer / balançar as pernas para amenizar o desconforto;
- sintomas que pioram ou só aparecem nos momentos de repouso e tendem a melhorar com o movimento;
- sintomas que pioram no final do dia / período da noite.
Esses sintomas podem desencadear distúrbios do sono, devido à piora dos sintomas no período noturno e a presença de movimentos involuntários das pernas durante o sono.
O teste de imobilização sugerida (TIS), onde o paciente permanece sentado por 60 minutos, é usado para detectar movimentos involuntários nas pernas. Alguns exames laboratoriais, como dosagem de ferro, ferritina, vitamina B12 e ácido fólico, também podem ajudar a identificar causas secundárias da SPI.
O que causa a Síndrome das Pernas Inquietas?
A causa da síndrome das pernas inquietas ainda não é totalmente compreendida, entretanto, alguns estudos e tratamentos já demonstram algumas possibilidades.
Exames como PET e SPECT mostram alterações nos receptores de dopamina, esses achados associados ao sucesso do uso de medicamentos que atuam no sistema dopaminérgico sugere que há uma forte disfunção nesse sistema, que afeta o sistema nervoso central e provoca as sensações características da síndrome.
Além disso, há evidências de que a deficiência de ferro também esteja envolvida no surgimento desta síndrome, já que muitos pacientes melhoram com a reposição de ferro, além de ter sido observada uma redução dos níveis de ferritina (estoque de ferro) em portadores.
Outra hipótese é o papel genético na doença, sugerindo herança autossômica dominante, como achados em cromossomos 6p, 2p e 15q. Por fim, estudos encontraram uma forte relação no uso de medicamentos que podem causar síndrome das pernas inquietas, como antidepressivos e antipsicóticos.
Tratamentos para a Síndrome das Pernas Inquietas
A gravidade da síndrome das pernas inquietas varia de pessoa para pessoa e ainda não existe um tratamento único que funcione para todos. Atualmente, o tratamento é voltado para aliviar os sintomas, por meio de medicamentos e algumas abordagens não farmacológicas.
Alguns dos medicamentos disponíveis para o tratamento da síndrome das pernas inquietas, são:
- levodopa e benzodiazepínicos: ajudam nos estágios iniciais da doença;
- agonistas dopaminérgicos: indicados em casos moderados e graves;
- gabapentina: pode ser útil para reduzir os desconfortos;
- opióides: são reservados para situações mais graves.
Além disso, é possível associar ao tratamento para síndrome das pernas inquietas suplementos alimentares como ferro, vitamina b12, ácido fólico e magnésio - que auxiliam no funcionamento do sistema neuromotor, comprometido nestes casos - além da coenzima Q10 - pode beneficiar a função neuromuscular e a energia celular, o que, indiretamente, pode ser útil em alguns casos.
Além disso, a atividade física regular com exercícios para síndrome das pernas inquietas pode reduzir os sintomas, assim como práticas de autocuidado como massagem, fisioterapia, banhos quentes e higiene do sono para induzir ao relaxamento no período noturno, onde os sintomas tendem a intensificar.
A Síndrome das Pernas Inquietas é grave? Quando se preocupar?
A síndrome das pernas inquietas não é uma condição grave, porém pode afetar muito a qualidade de vida e trazer sérios problemas sociais e emocionais, por isso é importante manter o acompanhamento médico e iniciar o tratamento o quanto antes, além das terapias complementares para amenizar os sintomas.
Qual médico procurar para a Síndrome das Pernas Inquietas?
A Síndrome das Pernas Inquietas (SPI) é uma desordem neurológica, logo o médico especialista em síndrome das pernas inquietas é o neurologista. Caso haja dúvidas quanto ao diagnóstico, também é possível iniciar com um médico geral que, por meio dos sintomas e quadro clínico, poderá encaminhar para o especialista indicado.
Referências
- DE CARVALHO SILVA FILHO, Reginaldo et al. Síndrome das Pernas Inquietas: Revisão e Atualização. Revista Neurociências, v. 17, n. 3, p. 263-269, 2009.
- DE PAULA FARIA, Raquel et al. Neuropsicologia da Síndrome das Pernas Inquietas:: Revisão de Literatura. Revista Neurociências, v. 22, n. 1, p. 127-133, 2014.
- FERREIRA, Axel João Oliveira. Fibromialgia: conceito e abordagem clínica. 2015. Dissertação de Mestrado.
- Rauchová H. Coenzyme Q10 effects in neurological diseases. Physiol Res. 2021 Dec 30;70(Suppl4):S683-S714.




















