Sensibilidade Alimentar: O que é, Sintomas e Tratamento
Você já sentiu desconforto ou dificuldade em digerir certos alimentos, mesmo sem ter uma alergia ou intolerância diagnosticada? Pode ser sensibilidade alimentar, uma condição cada vez mais prevalente e ainda pouco compreendida.
Neste artigo, é abordado o que é sensibilidade alimentar, como ela se manifesta, como é feito o diagnóstico de sensibilidade e quais são as formas mais eficazes de tratamento.
O que é sensibilidade alimentar?
A sensibilidade alimentar é uma reação adversa do corpo a certos alimentos, mas que não envolve o sistema imunológico da mesma forma que a alergia alimentar e não é causada por deficiência de enzimas como na intolerância.
Essa condição pode ser temporária ou persistir a vida toda, e as causas da sensibilidade alimentar ainda não estão totalmente esclarecidas.
Um dos exemplos mais estudados é a sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC). Pessoas com essa condição apresentam sintomas gastrointestinais, após ingerirem alimentos com glúten — mesmo sem diagnóstico de doença celíaca ou alergia ao trigo.
Sintomas
Os sintomas da sensibilidade alimentar variam a depender da pessoa, mas os mais comuns são:
- Inchaço;
- Gases;
- Dor abdominal;
- Fadiga;
- Dor de cabeça.
Tratamentos para sensibilidade alimentar
O tratamento para a sensibilidade alimentar não deve ser feito por conta própria. A retirada de grupos alimentares sem orientação podem causar deficiências nutricionais e procurar ajuda médica é fundamental para descartar outras condições e avaliação dos sintomas.
Os profissionais indicados para ajudar nesse processo são: nutricionista, gastroenterologista e nutrólogo.
O tratamento segue normalmente em três grandes etapas: identificação dos alimentos que causam sintomas, exclusão temporária e reintrodução gradual dos alimentos. Veja como funciona:
1. Identificação dos alimentos que causam sintomas
A principal forma de fazer isso é por meio de um diário alimentar, que consiste em registrar todos os alimentos consumidos no dia e os sintomas que apareceram após o consumo.
2. Dieta de exclusão
Com auxílio de um nutricionista, é feita a retirada dos alimentos que foram identificados na etapa anterior como gatilho para os sintomas, por um período de 30 a 90 dias, para controlar os sintomas.
3. Reintrodução gradual dos alimentos
Após o período de exclusão , é hora de reintroduzir os alimentos um a um, observando as reações no corpo.
Essa etapa de dessensibilização alimentar é muito importante para realizar a confirmação de quais alimentos realmente provocam os sintomas e quais podem ser reintroduzidos à rotina alimentar com segurança.
4. Cuidados contínuos
A sensibilidade alimentar é uma condição que pode ser temporária ou persistir a vida toda. Por isso, é importante continuar os cuidados.
Algumas estratégias complementares podem fazer parte do tratamento, como o uso do psyllium, uma fibra solúvel que auxilia na formação das fezes e favorece o trânsito intestinal sem causar fermentação, sendo bem tolerada por pessoas com sensibilidades alimentares.
O psyllium também atua como um prebiótico, ou seja, serve de alimento para as bactérias benéficas do intestino — fator essencial para a recuperação da saúde digestiva em quadros de sensibilidade alimentar. *
Como descobrir a sensibilidade alimentar?
Para descobrir uma sensibilidade alimentar não existe um exame específico, mas um teste de sensibilidade pode ser feito com orientação de um gastroenterologista ou nutricionista, que irão retirar alimentos suspeitos por 2 a 4 semanas (ex: glúten, laticínios, ovos, soja, café, açúcar, etc.) e depois reintroduzi-los, a fim de observar os sintomas.
Caso os sintomas desapareçam na ausência dos alimentos e reapareçam na reintrodução, é dado o diagnóstico de sensibilidade alimentar a esse alimento ou grupo alimentar.
Qual a diferença entre intolerância, sensibilidade e alergia alimentar ?
O termo intolerância alimentar tem sido usado para descrever diversas reações adversas relacionadas à ingestão de alimentos.
No entanto, para uma melhor compreensão clínica, especialistas têm sugerido que o termo mais adequado seria “reações não imunológicas a alimentos” , geralmente causadas por deficiências enzimáticas, mas existem diversas outras causas ainda desconhecidas.
Um exemplo clássico é a intolerância à lactose, em que o organismo não produz quantidades suficientes da enzima lactase, responsável por digerir a lactose — o açúcar presente no leite. Com essa deficiência, o consumo de leite e derivados pode provocar sintomas como gases, inchaço, cólicas e diarreia.
Já a sensibilidade alimentar é considerada um tipo de intolerância alimentar , os sintomas também podem incluir desconfortos gastrointestinais, mas não estão relacionados à deficiência de enzimas. O mecanismo ainda não é totalmente explicado, mas pode envolver processos inflamatórios
Por fim, a alergia alimentar envolve uma resposta do sistema imunológico a determinados componentes dos alimentos, e os sintomas podem surgir em poucos minutos após o consumo, os sintomas podem incluir: coceira, inchaço,dificuldade para respirar, vômitos e até anafilaxia, que é uma reação grave e potencialmente fatal.
Como controlar as sensibilidades alimentares?
✔ A melhor forma de controlar sensibilidades é eliminar alimentos suspeitos temporariamente e reintroduzi-los aos poucos para descobrir quais causam desconforto.
A seguir, veja estratégias eficazes para evitar os desconfortos causados pelas sensibilidades alimentares
1. Identificação dos alimentos gatilho
A identificação dos alimentos que provocam sintomas é o primeiro passo. O uso de um diário alimentar é uma ferramenta útil para registrar todos os alimentos consumidos e os sintomas associados. Esses registros facilitam a avaliação por profissionais de saúde e ajudam no diagnóstico nutricional.
2. Dieta de eliminação
Com a orientação de um nutricionista, pode-se aplicar uma dieta de eliminação, removendo temporariamente os alimentos suspeitos da dieta. A melhora dos sintomas durante esse período pode indicar sensibilidade alimentar. Essa abordagem deve ser conduzida de forma individualizada e com monitoramento adequado.
3. Atenção aos rótulos dos alimentos
Durante a fase de exclusão e também no dia a dia, é essencial ler atentamente os rótulos dos alimentos industrializados, verificando a presença de substâncias como glúten, lactose, aditivos químicos e outros potenciais gatilhos.
4. Redução de refeições fora de casa
Evitar o consumo frequente de alimentos preparados fora de casa é recomendado, especialmente quando não há controle sobre os ingredientes utilizados. Levar o próprio lanche pode ser uma alternativa segura para prevenir reações indesejadas.
5. Estilo de vida saudável
Manter hábitos saudáveis como sono de qualidade, prática regular de atividade física e hidratação adequada contribui para o equilíbrio do organismo e pode ajudar a reduzir a intensidade dos sintomas.
6. Acompanhamento nutricional contínuo
O acompanhamento com um nutricionista é essencial. Em muitos casos, a sensibilidade alimentar pode ser transitória e os alimentos gatilho podem ser reintroduzidos gradualmente, conforme a melhora clínica.
Além disso, um plano alimentar equilibrado garante a ingestão adequada de nutrientes, evitando deficiências nutricionais comuns em dietas restritivas.
Portanto, embora as causas da sensibilidade alimentar ainda estejam em estudo, o tratamento mais eficaz envolve o acompanhamento nutricional individualizado, que permite identificar alimentos gatilhos, ajustar a dieta e garantir uma alimentação equilibrada e segura para melhora dos sintomas.
Referências
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