Atualizado em 03 de Setembro de 2025

Criado por Daniella Miranda - Nutricionista

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Queimação nas pernas: 7 causas e o que fazer para melhorar

como aliviaar queimação nas pernas

A sensação de queimação nas pernas pode parecer algo simples, mas muitas vezes está relacionada a alterações nos nervos, vasos sanguíneos ou até mesmo no metabolismo.

Esses sinais não devem ser ignorados, pois podem indicar desequilíbrios internos que merecem atenção. Saiba mais sobre as causas e como aliviar a sensação de queimação nas pernas a seguir.

7 Causas

Conhecer as causas da queimação nas pernas é o primeiro passo para buscar a solução mais adequada. Entre suas principais origens estão:

1. Má circulação sanguínea

Problemas na circulação, como insuficiência venosa crônica ou aterosclerose, podem reduzir a oxigenação nos tecidos das pernas, gerando sensação de queimação, principalmente após longos períodos em pé ou no fim do dia.

2. Neuropatia periférica

Trata-se de uma lesão nos nervos periféricos, aqueles que conectam o cérebro e a medula espinhal ao restante do corpo. Esse tipo de neuropatia pode provocar sintomas como formigamento, dor e queimação nas pernas.

Além disso, dormência e perda de sensibilidade, especialmente nas extremidades inferiores, são queixas comuns.

3. Deficiência de vitamina B12

A falta de vitamina B12 pode levar a sintomas neurológicos, incluindo queimação, especialmente nos pés e pernas. Isso se deve ao comprometimento da formação da bainha de mielina - estrutura que reveste e protege os nervos.

4. Ciatalgia ou compressão nervosa lombar

Compressões dos nervos da região lombar, como no caso da ciática, podem irradiar dor e queimação ao longo da perna, principalmente em um dos lados.

5. Esclerose múltipla

Embora menos comum, essa condição autoimune pode afetar a condução nervosa, levando a sintomas como dor em queimação. Cabe salientar que ocorre queimação nas pernas a noite, especialmente.

6. Doença arterial periférica (DAP)

A DAP ocorre quando há estreitamento das artérias que irrigam os membros inferiores. Além de dor ao caminhar, pode provocar queimação nos pés e pernas - especialmente à noite.

7. Uso de certos medicamentos

Alguns fármacos, como estatinas - usadas para colesterol alto - e medicamentos quimioterápicos - tratamento de câncer -, podem provocar neuropatias periféricas, levando à sensação de queimação nas pernas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da queimação nas pernas começa com uma escuta atenta: o médico avalia quando os sintomas surgem, sua intensidade, duração e se aparecem associados a outras alterações, como formigamento, dormência, dor ou perda de força.

Essa avaliação detalhada ajuda a diferenciar causas musculares, vasculares ou neurológicas. Depois, exames clínicos e laboratoriais são solicitados conforme a suspeita . Entre eles:

  • Exame físico e testes neurológicos para verificar reflexos, sensibilidade e força muscular;
  • Exames de sangue, como dosagem de vitamina B12, glicemia, função renal e marcadores inflamatórios;
  • Eletromiografia e estudo de condução nervosa, que avaliam a integridade dos nervos periféricos;
  • Ultrassonografia vascular ou doppler de membros inferiores, para investigar problemas circulatórios;
  • Exames de imagem da coluna lombar, como ressonância magnética, quando há suspeita de compressão nervosa.

Como aliviar a queimação nas pernas?

A sensação de dor e queimação nas pernas pode comprometer o bem-estar, o desempenho em atividades cotidianas e até a qualidade do sono, quando surge no fim do dia ou durante a noite.

Algumas estratégias podem ajudar a reduzir este incômodo:

  • Elevar as pernas ao deitar ou descansar pois isso pode facilitar o retorno venoso e diminuir a pressão nas veias;
  • Alternar entre períodos de movimento e repouso ao longo do dia, evitando ficar longos períodos em pé ou sentado;
  • Evitar roupas e sapatos apertados que possam comprometer a circulação local;
  • Reduzir o consumo de álcool e cigarro, que afetam tanto os vasos quanto os nervos periféricos;
  • Adotar uma alimentação equilibrada, com foco em fontes de vitaminas do complexo B, como vegetais verde-escuros, ovos, carnes e cereais integrais;
  • Acompanhar com médico e/ou nutricionista os níveis de vitamina B12 e considerar a suplementação quando houver deficiência;
  • Praticar exercícios leves com orientação profissional, como caminhadas ou movimentos de mobilidade articular;
  • Fazer compressas mornas, quando a sensação estiver associada a tensão muscular.

Quando procurar ajuda médica?

Nem toda queimação nas pernas é motivo de preocupação imediata. No entanto, quando o sintoma se torna persistente, intenso ou vem acompanhado de outros sinais, é recomendável buscar orientação profissional para investigação adequada.

A queimação nas pernas requer avaliação médica quando:

  • É frequente ou progressiva, mesmo em repouso;
  • Acontece acompanhada de formigamento, dormência, perda de força ou equilíbrio;
  • Ocorre em apenas uma perna, especialmente de forma súbita;
  • Há alterações na coloração da pele, inchaço ou feridas que demoram a cicatrizar;
  • Há histórico de diabetes, doenças vasculares, uso prolongado de metformina ou cirurgia bariátrica - todos fatores de risco para deficiência de vitamina B12 e neuropatias;
  • Interfere na qualidade do sono ou no desempenho de tarefas do dia a dia.

Nesses casos, o médico poderá indicar exames e, se necessário, encaminhar para avaliação com especialista - neurologista, vascular e endocrinologista. O diagnóstico precoce é importante para evitar a progressão de condições mais complexas.

Tratamento

O tratamento para queimação nas pernas depende diretamente da causa identificada. Quando a origem é neurológica, vascular ou metabólica, o manejo deve ser direcionado para controlar esses fatores. Entre as principais estratégias terapêuticas, estão:

Ajuste da alimentação

Priorizando nutrientes com função antioxidante e neuroprotetora, como as vitaminas B1, B6, B12, E e o magnésio. Esses micronutrientes ajudam na manutenção das células nervosas e no controle da inflamação.

Boas fontes incluem vegetais verde-escuros (como espinafre e brócolis), leguminosas, ovos, sementes, castanhas, abacate e peixes ricos em ômega 3.

Como as necessidades variam de pessoa para pessoa, recomenda-se o acompanhamento com nutricionista para garantir a adequação nutricional e, se necessário, indicar a suplementação mais adequada.

Prática regular de exercícios físicos leves

O foco está na mobilidade, alongamento e fortalecimento muscular, sempre respeitando os limites individuais. Atividades como caminhadas, bicicleta ergométrica e hidroginástica podem melhorar a circulação e estimular a condução nervosa, contribuindo para a redução da sensação de queimação.

Uso de meias de compressão

Quando há sinais de insuficiência venosa leve a moderada, o uso de meias de compressão graduada fazem parte do tratamento. Elas auxiliam no retorno venoso e podem reduzir o inchaço e o desconforto no final do dia.

A indicação do modelo e da pressão adequada deve ser feita por profissional, com base na avaliação clínica.

Reposição de vitamina B12:

Quando há deficiência confirmada ou risco aumentado, a suplementação é necessária. Vegetarianos estritos, idosos, pessoas com alterações gastrointestinais (como gastrite atrófica ou histórico de cirurgia bariátrica) e usuários crônicos de metformina mais vulneráveis a essa deficiência. * * *

A suplementação pode ser feita por via oral, sublingual ou injetável - a escolha depende do grau de deficiência e da capacidade de absorção individual.

Cabe ressaltar que a suplementação deve ser prescrita e acompanhada por profissional, com base em exames laboratoriais e sintomas clínicos.

A queimação nas pernas é um sintoma que pode sinalizar alterações neurológicas, circulatórias ou nutricionais. Identificar sua causa é fundamental para garantir um tratamento eficaz e evitar complicações.

Estratégias como alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos leves e o acompanhamento dos níveis de vitamina B12 podem contribuir significativamente para o alívio deste desconforto.

Em caso de sintomas persistentes, a avaliação por um profissional é essencial para diagnóstico preciso e conduta adequada.

Referências

Daniella Miranda, Nutricionista (CRN2 17408), formada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). É pós-graduada em Nutrição Esportiva Funcional pela VP, Mestre em Hepatologia pela UFCSPA e Doutoranda em Gastroenterologia e Hepatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pós-graduada em Nutrição Esportiva Funcional