Saiba quando o diabético deve tomar insulina
O diabetes tipo 1 (DM1) é uma doença que afeta várias pessoas em todo o mundo. A doença ocorre em consequência a uma destruição imunológica do órgão das células que produzem insulina. Quando diagnosticado, os pacientes precisam utilizar insulina por toda a vida.
A insulina controla os níveis de glicose no sangue, sem ela, esses pacientes perdem o controle da glicemia o que pode ocasionar problemas sérios como complicações cardíacas, cegueira e falência dos rins.
Entender quando tomar o diabético deve tomar insulina é fundamental para evitar essas complicações. Confira a seguir.
Entenda quando o diabético tipo 1 deve tomar insulina
É recomendado que o diabetico tipo 1 inicie o tratamento imediatamente após o diagnóstico – realizado por meio do exame de glicemia em jejum, testes de tolerância oral à glicose (TOTG) e hemoglobina glicada.
Isso porque, neste tipo de diabetes, o indivíduo tem deficiência na produção do hormônio insulina e, sem esse hormônio no organismo, é impossível controlar os níveis de glicose, colocando a vida em risco.
Portanto, iniciar o tratamento com insulina é fundamental para evitar complicações graves, como cetoacidose metabólica, que é uma condição no qual o corpo produz substâncias que ao se acumularem no sangue o deixam mais ácido, ocasionando sintomas como náuseas, vômitos, desidratação, dor de cabeça até situações mais graves que levam ao coma do paciente.
Quando o diabético tipo 2 pode precisar de insulina
Nem todo diabetico tipo 2 precisa de insulina, pois esse tipo de diabetes, diferente do tipo 1, não é caracterizada pela deficiência da produção desse hormônio, mas pela resistência periférica à sua ação.
No entanto, quando o tratamento medicamentoso não dá conta de controlar a glicemia (nível de açúcar no sangue), o pâncreas pode sofrer ao ponto de ter a produção de insulina afetada e reduzida como uma consequência da progressão da doença.
Ou seja, quando a glicose no sangue continua alta, o médico pode incluir a insulina no tratamento para ajudar no controle do diabetes tipo 2 e evitar complicações.
Quando a gestante precisa tomar insulina
Durante a gravidez, o corpo da mulher passa por várias mudanças hormonais. Alguns hormônios produzidos pela placenta podem atrapalhar a ação da insulina, levando à hiperglicemia (nível alto de glicose no sangue).
Em algumas mulheres, o pâncreas consegue compensar esse efeito; em outras, não — e é aí que o diabetes gestacional aparece.
No caso do diabetes gestacional, quando a gestante vai precisar tomar a insulina, depende da resposta ao plano alimentar e do acompanhamento médico.
Se, após 7 a 14 dias de tratamento não medicamentoso, duas ou mais medidas de glicemia estiverem acima da meta estabelecida, a introdução da insulina geralmente é indicada para evitar riscos à mãe e ao bebê.
Sinais de que o diabético pode precisar de insulina
O início do uso de insulina é uma etapa essencial no tratamento do diabetes tipo 1. Como esse tipo de diabetes envolve a falta total de produção de insulina pelo pâncreas, seu uso geralmente é indicado desde o diagnóstico.
Mas, é importante estar atento aos sinais que reforçam quando o biabetico deve tomar insulina. Entenda os sinais:
1. Diagnóstico confirmado de DM1
É recomendado que o tratamento com insulina inicie imediatamente após o diagnóstico clínico da doença, para prevenir complicações.
Essas complicações, incluem a descompensação do metabolismo que acontece quando o corpo da pessoa com diabetes perde o controle dos níveis de açúcar no sangue, ficando com a glicose muito alta por falta da insulina.
Isso afeta o funcionamento de vários órgãos e pode levar a uma complicação grave chamada cetoacidose diabética.
Nessa situação, o organismo, sem insulina suficiente, não consegue usar o açúcar como fonte de energia e passa a queimar gordura, liberando substâncias chamadas cetonas, que deixam o sangue levando a vários sintomas.
Os principais sinais de alerta que indicam uma cetoacidose diabética são náuseas, vômitos, respiração ofegante, sede excessiva, urina em grande quantidade, fraqueza e confusão mental, sonolência, hálito cetônico ( parecido com de uma fruta podre) .
A cetoacidose pode se tornar grave, levando ao coma em 10% dos casos, ao perceber esses sintomas, é fundamental procurar atendimento hospitalar.
2. Presença de sintomas clássicos de açúcar alto no sangue
Sintomas como aumento da frequência da urinária (poliúria), fome em excesso (polifagia), sede excessiva (polidipsia), cansaço e perda de peso inexplicada podem indicar excesso de glicose no sangue (hiperglicemia) e necessidade de utilização da insulina.
Na presença de alguns desses sintomas é necessário procurar ajuda médica, para investigar o quadro e verificar o possível diagnóstico do diabetes tipo 1.
3. Glicemia alta persistente
Se os níveis de glicose no sangue permanecem altos por vários dias, é importante iniciar ou intensificar o tratamento com insulina para alcançar um controle da glicemia adequado.
Esse quadro exige atenção imediata, pois uma glicose alta de forma contínua pode aumentar o risco de complicações nos rins e coração, por exemplo.
Como é feito o tratamento com insulina
Dado o diagnóstico do diabetes tipo 1, a partir do exame de glicose em jejum maior ou igual a 126mg/dL ou glicose plasmática de 2 horas maior ou igual a 200mg/dL durante o teste de tolerância oral à glicose ou hemoglobina glicada maior ou igual a 6,5%, é recomendado iniciar a utilização da insulina (insulinoterapia).
O tratamento deve ser individualizado e prescrito por um médico clínico geral ou endocrinologista, pois o tipo e quantidade de insulina pode variar de acordo com a idade, peso corporal, estilo de vida, rotina individual, duração e fase do diabetes, além dos hábitos alimentares.
Mas de maneira geral, a insulina é aplicada por injeções diárias ou por bomba de infusão, que é um dispositivo que é fixado no corpo do paciente e libera doses programadas da insulina ao longo do dia.
Existem diferentes tipos de insulinas:
Insulinas de ação rápida ou ultra-rápida
São aplicadas antes das refeições para controlar o açúcar no sangue após comer. O início de ação varia de 30-60 minutos ou até imediato. O efeito desse tipo de insulina varia de 1h- 8h a depender do tipo *.
Insulinas de ação intermediária ou prolongada
Mantém os níveis de glicose estáveis entre as refeições e durante a noite. O início de ação pode variar de 2 a 6h e podem durar de 10 - 42h a depender do tipo *.
Também é importante realizar o monitoramento diário da glicose com glicosímetros ou sensores. O médico que prescreve o melhor tipo de insulina é um endocrinologista ou clínico geral, mas também é importante um acompanhamento com equipe multiprofissional incluindo um nutricionista para orientação sobre a contagem de carboidratos.
A contagem de carboidratos é uma estratégia fundamental no tratamento do diabetes tipo 1, pois ajuda a calcular com mais precisão a quantidade de insulina que deve ser aplicada antes das refeições.
O nutricionista também ajudará na educação alimentar e nutricional, apresentando os alimentos fontes de carboidratos, orientação quanto a leitura de rótulos industrializados, e ajustar a alimentação conforme a insulinoterapia prescrita pelo médico.
Cuidados e orientações ao iniciar insulina
DIniciar o uso de insulina requer cuidados específicos para garantir a eficácia do tratamento e a segurança do diabetico. Confira abaixo as orientações para iniciar o tratamento com insulina:
Preparo da insulina
- Antes de iniciar é necessário lavar e secar bem as mãos;
- Separe os materiais necessários: frasco ou caneta de insulina, a seringa ou agulha, algodão e álcool 70%;
- É importante limpar a borracha do frasco da insulina com álcool antes de inserir a agulha, depois aspirar a dose correta tomando cuidado para que não haja bolhas de ar na seringa.
Técnicas de aplicação
- Os locais de aplicação incluem abdômen, coxas,nádegas e braços;
- Antes da aplicação é importante palpar o local de aplicação para verificar a presença de lesões. Alterne entre os locais de aplicação para evitar essas lesões na pele, que pode ser comum à medida que vai aplicando a insulina;
- Após a injeção, deve-se manter a agulha no local por menos de 10 segundos para garantir que toda a dose da insulina seja injetada.
Monitoramento contínuo
- É importante medir regularmente os níveis de glicose no sangue, para verificar se a dose de insulina está surtindo efeito;
- Estar sempre atento ao sinais de hipoglicemia (redução do açúcar no sangue): tontura, suor frio e confusão mental e hiperglicemia (aumento do açúcar no sangue): sede excessiva, fazer xixi frequentemente e fome excessiva);
- Se necessário, ajustar a dose de insulina, com orientação médica.
Armazenamento da insulina
- A insulina ainda não utilizada deve ser mantida na parte inferior da geladeira. Ela não pode ser congelada se não perde seu efeito *;
- O descarte de agulhas e seringas deve ser feito em recipientes apropriados, separados do lixo comum.
Apoio profissional
- É extremamente importante sempre manter contato com a equipe de saúde para esclarecer dúvidas e receber orientações atualizadas.
Portanto, saber quando o diabetico tipo 1 deve tomar insulina é um passo essencial para manter o controle da glicemia e prevenir complicações graves.
A partir do diagnóstico, o tratamento deve ser individualizado, envolvendo acompanhamento médico e nutricional, atenção ao preparo e aplicação da insulina, além do monitoramento constante dos níveis de glicose.
Pensando em controlar a glicemia, uma estratégia interessante nesse processo é escolher carboidratos de absorção lenta, como a palatinose, para promover uma liberação gradual de glicose no sangue, evitando picos e melhorando o controle glicêmico — especialmente quando orientado por um nutricionista.
Estudos demonstraram que a palatinose ou isomaltulose proporciona uma liberação mais lenta e estável de glicose no sangue, o que é particularmente vantajoso para indivíduos com diabetes tipo 1, especialmente durante atividades físicas.
Seu consumo pode ajudar a manter níveis de açúcar no sangue mais estáveis, reduzindo o risco de hipoglicemia quando comparado com a sacarose ( açúcar branco).
Referências
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