Atualizado em 13 de Outubro de 2025

Criado por Suelen Santos da Costa - Nutricionista

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Puerpério: o que é, sintomas, fases e como lidar

como lidar com o puerpério

O puerpério é o período que começa logo após o parto e representa uma das fases mais intensas da maternidade. É quando o corpo da mulher passa por transformações físicas, hormonais e emocionais para voltar ao estado anterior à gestação.

Durante esse tempo, ocorrem adaptações importantes, como a produção de leite, a cicatrização uterina e o reequilíbrio hormonal.

Embora seja uma fase natural, o puerpério exige atenção especial aos sintomas, aos cuidados e à saúde emocional da mulher.

O que é puerpério?

O puerpério é o intervalo entre o nascimento do bebê e a completa recuperação do organismo materno. Ele se inicia com a saída da placenta e termina quando o útero e os hormônios voltam ao padrão pré-gestacional.

Esse processo envolve a involução uterina (processo natural em que o útero retorna ao seu tamanho e formato normais), a amamentação e a reorganização dos sistemas reprodutivo e metabólico.

Sintomas

Os sintomas do puerpério são consequência direta das mudanças hormonais e físicas que ocorrem no corpo. Entre os mais comuns, estão:

  • sangramento vaginal (lóquios): ocorre pela eliminação de resíduos do útero após o parto;
  • cólicas e contrações: provocadas pela contração uterina, que ajuda o útero a voltar ao tamanho normal;
  • mamas doloridas ou endurecidas: resultado da produção de leite e adaptação à amamentação;
  • cansaço e sono irregular: devido à nova rotina com o bebê e à recuperação física;
  • barriga flácida ou inchada: consequência da distensão abdominal durante a gestação;
  • prisão de ventre: comum devido à alteração hormonal e menor movimentação intestinal;
  • sensação de tristeza ou oscilação de humor: reflexo das mudanças hormonais intensas.

Quanto tempo dura o puerpério e quais são as fases?

O tempo de puerpério costuma variar entre 45 e 60 dias, mas pode se prolongar quando há amamentação exclusiva, já que os hormônios envolvidos no aleitamento retarda a ovulação.

O período de puerpério é dividido em fases:

  • puerpério imediato: do parto até o 10º dia. É quando ocorrem o sangramento e as contrações uterinas;
  • puerpério tardio: do 11º ao 42º dia. A mulher ainda se recupera fisicamente, e o útero continua retornando ao tamanho normal;
  • puerpério remoto: após o 43º dia. O corpo tende a estabilizar-se, e o ciclo menstrual pode voltar.

Sinais de alerta

Alguns sintomas podem indicar complicações no puerpério e exigem avaliação médica imediata, como:

  • sangramento vaginal intenso ou com coágulos;
  • febre acima de 38 °C;
  • dor de cabeça forte e repentina, especialmente associada à visão turva (pode indicar pré-eclâmpsia pós-parto);
  • dor abdominal intensa ou secreção com mau cheiro;
  • inchaço e dor nas pernas (sinais de trombose venosa);
  • vermelhidão, dor e febre nas mamas (pode indicar mastite).

Puerpério emocional: baby blues × depressão × psicose

O puerpério emocional é o conjunto de alterações psicológicas que acompanham o pós-parto. Ele pode se manifestar em diferentes intensidades e, para cada uma delas, recebe um nome específico:

  • baby blues: sensação de tristeza leve, choro fácil e instabilidade emocional. Surge entre o 2º e 5º dia após o parto e tende a desaparecer em até duas semanas;
  • depressão pós-parto: envolve desânimo, perda de interesse, culpa e dificuldade de vínculo com o bebê. Requer acompanhamento médico e psicológico;
  • psicose puerperal: condição rara e grave, com sintomas, como delírios e alucinações. É uma emergência psiquiátrica que exige tratamento imediato.

Essas alterações estão ligadas às oscilações hormonais e às mudanças de rotina. Apoio familiar e acompanhamento profissional ajudam a prevenir complicações emocionais.

Como aliviar os sintomas?

Alguns cuidados simples podem ajudar a reduzir o desconforto e favorecer a recuperação pós-parto, incluindo:

  • manter alimentação equilibrada: incluir frutas, verduras e alimentos ricos em ferro e fibras ajuda na disposição e evita a constipação;
  • hidratar-se bem: beber água favorece a produção de leite e a recuperação do corpo, além de ajudar a soltar o intestino;
  • descansar sempre que possível: aproveitar os momentos de sono do bebê para não se sobrecarregar;
  • praticar atividade física leve: caminhar ou fazer alongamentos conforme liberação médica é ideal para estimular a circulação e reduzir o inchaço;
  • usar cinta abdominal com orientação profissional: ajuda na sustentação da musculatura e na involução uterina;
  • contar com apoio emocional: conversar com familiares, amigos ou grupos de mães reduz a sobrecarga mental.

A transformação dos nutrientes dos alimentos em componentes do leite materno não ocorre de forma total.

Por isso, para manter um bom estado nutricional, a mulher que amamenta precisa reforçar a ingestão de vitaminas e minerais na dieta, muitas vezes, através de suplementos. *

Alguns suplementos, como o ômega 3 e a vitamina B12, podem ser aliados importantes para a saúde cerebral, energia e equilíbrio emocional da mulher no pós-parto, especificamente.

Esses nutrientes também contribuem para o desenvolvimento neurológico do bebê quando a mãe está amamentando.

É importante ressaltar, no entanto, que uso de suplementos deve ser feito sempre com orientação médica, de acordo com as necessidades individuais e o tipo de amamentação.

Quando procurar um médico?

É importante procurar atendimento médico se houver sintomas, como febre persistente, sangramento intenso, dor de cabeça súbita, inchaço assimétrico nas pernas, falta de ar ou dor torácica.

Além disso, toda mulher no puerpério deve ter uma consulta de revisão entre a 6ª e 8ª semana após o parto. Nesse momento, o médico avalia o útero, o estado emocional e indica métodos contraceptivos seguros, como o DIU ou o progestagênio.

Referências

Foto de Suelen Santos da Costa

Conteúdo criado por especialista:

Suelen Santos da Costa

Nutricionista

Este artigo foi escrito por Suelen Costa dos Santos, nutricionista (CRN 10 – 7816), formada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Possui pós-graduação em Nutrição Clínica Funcional pela VP – Centro de Nutrição Funcional, uma das instituições mais renomadas da área. Seu trabalho é guiado pelos princípios da nutrição funcional, com foco na promoção da saúde e na individualidade bioquímica.

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