Atualizado em 19 de Agosto de 2025

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Microbiota e depressão: como a saúde intestinal afeta seu humor

Ilustração sobre Microbiota e depressão
Ilustração sobre Microbiota e depressão

Estudos vêm demonstrando a relação complexa entre a microbiota e depressão, reforçando a importância de cuidar tanto da saúde emocional quanto da saúde intestinal. Isso porque, assim como o cérebro influencia o funcionamento do intestino, o intestino também exerce impacto direto sobre o cérebro. Fascinante, não é? Essa via de comunicação entre os dois é conhecida como eixo intestino-cérebro. Quer entender melhor como isso funciona? Continue a leitura!

Qual a relação entre microbiota e depressão?

A relação entre intestino e cérebro é complexa e uma descoberta relativamente recente - cuja ciência ainda vem explorando. Fato é, essa comunicação existe e é muito mais intensa do que se imaginava - ela acontece via nervos (como o nervo vago), hormônios, neurotransmissores, informações de nutrientes, estiramento gastrointestinal, moléculas do sistema imune e outros.

Essa troca de informações é chamada de eixo intestino-cérebro e a microbiota intestinal tem uma participação fundamental nessa relação. O termo “microbiota” se refere ao conjunto de bactérias que populam o intestino e são capazes de exercer grande influência na saúde digestiva e do organismo de forma geral.

Quando a microbiota é formada majoritariamente por “bactérias do bem”, há um quadro chamado de simbiose (boa relação mútua): onde o indivíduo traz boas condições para que esse conjunto de bactérias viva bem em seu intestino (alimentação saudável e consumo de água, por ex.), enquanto elas retribuem contribuindo para a saúde (auxiliam na digestão e na saúde da parede intestinal, por ex.).

Por outro lado, quando bactérias maléficas crescem desenfreadamente, cria-se o que chamamos de disbiose intestinal - provocando sintomas intestinais (gases, dor abdominal, constipação) e extra intestinais (inflamação crônica de baixo grau e problemas de humor - podendo contribuir até para a depressão).

Leia mais sobre disbiose intestinal

Como a saúde intestinal afeta o humor e comportamento?

Você já viveu um período de grande estresse ou ansiedade que afetou o funcionamento do seu intestino? Por exemplo: antes de uma importante apresentação no trabalho, sentiu aquele “frio na barriga”? Ou percebeu o intestino preso durante uma viagem por estar fora de casa e da rotina?

Esses são exemplos simples de como essa relação é poderosa e acontece o tempo todo, mesmo que não haja consciência disso. A saúde intestinal e emocional estão intimamente relacionadas e essa comunicação se dá pelo nervo vago (um nervo enorme que liga ambas as regiões), além de neurotransmissores, que emitem informações o tempo todo entre os neurônios presentes no cérebro (aprox. 100 bilhões) e intestino (aprox. 500 milhões).

Além disso, o desequilíbrio da microbiota e problemas intestinais abrem pequenas brechas na parede do intestino, permitindo a passagem de microrganismos e toxinas - o que, no longo prazo, pode levar à inflamação crônica de baixo grau: o estopim para desencadear inúmeras doenças, além de impactar negativamente na saúde mental.

Entretanto, é importante desmistificar uma informação errada que vem circulando por aí: a serotonina produzida no intestino não atravessa a barreira hemato-encefálica, ou seja, ela não vai para o cérebro, nem influência no comportamento. Esse neurotransmissor é fundamental para regular o humor, cujo comprometimento na produção ou recaptação está envolvido na depressão, porém ela só é válida para esse fim quando produzida no próprio cérebro, não no intestino.

Quais fatores prejudicam a microbiota?

Existem inúmeros hábitos maléficos que podem prejudicar a flora intestinal e humor, contribuindo para a piora da microbiota e depressão. Aqui estão alguns dos principais:

  • abuso de antibióticos;
  • dieta rica em açúcares e industrializados;
  • pouca variedade alimentar;
  • baixo consumo de alimentos ricos em fibras;
  • uso exagerado de laxantes;
  • exposição constante ao estresse;
  • má qualidade de sono.

Como equilibrar a microbiota para ajudar no controle da depressão?

A alimentação saudável torna-se primordial para o restabelecimento do equilíbrio da flora intestinal e para o tratamento da depressão. Os alimentos e a suplementação que aumentam a microbiota de qualidade em nosso sistema gastrointestinal são uma consideração significativa na vida diária dos indivíduos. Além disso, alguns fatores podem influenciar significativamente na recuperação do equilíbrio da microbiota, como:

Alimentação saudável e diversificada

Uma dieta rica em fibras, vegetais, frutas e grãos integrais contribui diretamente para a diversidade e o equilíbrio da microbiota. Em contrapartida, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em gorduras saturadas, açúcar e sódio, pode desregular o funcionamento intestinal e prejudicar o equilíbrio da flora bacteriana.

Atenção à alergias e intolerâncias alimentares

Alimentos como glúten e lactose podem desencadear inflamações em pessoas sensíveis, afetando a integridade do intestino e da microbiota. Nestes casos, uma dieta adaptada, com exclusão desses componentes, é essencial para manter a microbiota saudável e reduzir os sintomas intestinais.

Uso de antibióticos

Apesar de serem importantes em determinados tratamentos, os antibióticos também eliminam bactérias benéficas do intestino. O uso prolongado ou repetido, sem reposição adequada de probióticos, pode comprometer a flora intestinal e impactar negativamente o humor e o bem-estar.

Doenças intestinais

Condições como a Síndrome do Intestino Irritável (SII) e Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) afetam diretamente o equilíbrio microbiano e o funcionamento do intestino. Nestes casos, o acompanhamento médico e nutricional é indispensável para avaliar o uso de medicações e estratégias alimentares específicas.

Saiba mais sobre o tratamento da síndrome do intestino irritável

Suplementos que podem apoiar a saúde intestinal

Além de manter hábitos saudáveis, como uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física, o uso de suplementos pode ser um grande aliado na manutenção da saúde intestinal. Veja abaixo:

Fibras alimentares

As fibras são componentes não digeríveis presentes em alimentos como psyllium, frutas, vegetais, leguminosas e cereais integrais. Quando chegam intactas ao intestino grosso, tornam-se alimento para as bactérias benéficas da microbiota, ajudando a manter um ambiente intestinal equilibrado e contribuindo para a saúde mental, consequentemente.

Estudos mostram que a suplementação com fibras contribui para a melhora da constipação, formação do bolo fecal e redução do tempo de trânsito intestinal. Além disso, as fibras são fundamentais para a integridade da barreira intestinal, oferecendo proteção contra inflamações e desequilíbrios.

Prebióticos

Prebióticos são tipos específicos de fibras que alimentam diretamente as bactérias benéficas do intestino. Ao promoverem o crescimento dessas bactérias e inibirem a proliferação de micro-organismos patogênicos, os prebióticos favorecem o equilíbrio da microbiota e auxiliam na regulação do intestino.

Probióticos

Probióticos são suplementos compostos por cepas vivas de bactérias benéficas. Eles atuam repondo a flora intestinal, competindo com micro-organismos nocivos e estimulando a produção de substâncias anti-inflamatórias e antibacterianas. Estudos indicam que os probióticos ajudam a fortalecer a barreira intestinal, reduzir inflamações e melhorar o trânsito intestinal — sendo úteis tanto na constipação quanto em desequilíbrios digestivos.

Magnésio

O magnésio desempenha um papel importante na função intestinal ao promover o relaxamento da musculatura do trato gastrointestinal e melhorar a permeabilidade da mucosa intestinal. Essa ação facilita a evacuação e ajuda a aliviar quadros de constipação. Pesquisas apontam que o magnésio contribui para a regularidade intestinal, além de criar um ambiente mais favorável para a saúde da microbiota.

A depressão é um distúrbio multifatorial, cujo tratamento precisa envolver várias frentes - como auxílio psiquiátrico, medicamentoso e terapêutico. Entretanto, sabendo da importância do eixo intestino-cérebro e como a microbiota afeta o humor e comportamento, é importante considerar a melhora dos hábitos alimentares na busca por um intestino mais saudável como parte das medidas de tratamento da doença.


Referências

Este conteúdo possui caráter informativo e é baseado em literatura científica. O uso de suplementos alimentares deve ser avaliado por profissional de saúde, especialmente em casos de gestantes, lactantes, pessoas com condições clínicas ou em uso de medicamentos. A rotulagem dos produtos segue as diretrizes regulatórias da Anvisa.

Foto de Joana Mazzochi Aguiar

Conteúdo criado por especialista:

Joana Mazzochi Aguiar

Nutricionista

Este artigo foi escrito por Joana Mazzochi Aguiar, nutricionista (CRN 10 – 10934), formada pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). É especialista em Atendimento Nutricional para Cirurgia Bariátrica e atualmente cursa pós-graduação em Saúde da Mulher e Estética pela VP – Centro de Nutrição Funcional, uma das instituições mais renomadas da área. Seu trabalho é guiado pelos princípios da nutrição funcional e do cuidado integral à saúde feminina.

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