Atualizado em 12 de Agosto de 2025

Criado por Rafaela Fürst Galvão - Nutricionista

Criado por humano

Carregando...

Infecção urinária de repetição: o que é, causas e como evitar

Ilustração sobre Infecção urinária de repetição
Ilustração sobre Infecção urinária de repetição

As infecções do trato urinário (ITUs) estão entre as infecções bacterianas clínicas mais frequentes em mulheres e, infelizmente, podem se repetir várias vezes ao ano, ao ponto de tornarem-se recorrentes. Quando atingem esse estado, tornam-se bastante desconfortáveis e afetam significativamente a qualidade de vida.

Mas, a boa notícia é que há como quebrar esse ciclo! Leia o artigo abaixo e descubra como tratar infecção urinária de repetição e quais as medidas preventivas para evitar que apareça novamente.

O QUE É INFECÇÃO URINÁRIA DE REPETIÇÃO?

A infecção urinária é uma condição causada pelo supercrescimento de microrganismos (comumente bactérias) no trato urinário. É chamada de infecção urinária de repetição quando esse quadro infeccioso se repete por, pelo menos, 3 vezes no ano ou quando há dois episódios de infecção no período de 6 meses.

A infecção urinária recorrente está entre as infecções mais prevalentes do mundo, especialmente entre as mulheres, devido à anatomia do trato urinário feminino - começa na vagina e pode subir para a uretra e/ou bexiga, posteriormente. Também pode acometer homens e crianças, mesmo que em menor frequência.

PRINCIPAIS CAUSAS DA INFECÇÃO URINÁRIA RECORRENTE

A infecção urinária recorrente é causada por bactérias - cerca de 80% dos casos é a E. coli. Essa bactéria entra no sistema urinário, através da uretra, e se propaga na bexiga. A E.coli vive comumente no intestino em equilíbrio, sem causar problemas, entretanto, quando sai e cresce desenfreadamente, consegue chegar no trato urinário, causando problemas.

Nos quadros de infecção urinária de repetição existem fatores de risco que podem estimular a recorrência da infecção ou impedir sua cura completa, além de fortalecer a bactéria no local onde ela não deveria estar - provocando a reincidência do quadro.

Confira abaixo quais são os principais fatores de risco para infecção urinária de repetição:

Anatomia feminina

Devido a anatomia do aparelho urinário feminino, as infecções urinárias crônicas acabam acometendo mais as mulheres. Isso ocorre porque a uretra das mulheres está localizada muito próxima do reto. Como resultado, é extremamente fácil para as bactérias do reto chegarem à uretra.

Outro motivo para isso, é que a uretra feminina é bem mais curta do que a do homem – e isso significa que as bactérias precisam percorrer uma distância menor para chegar à bexiga e causar a infecção.

Atividade sexual

A relação sexual é um dos fatores de risco para as infecções urinárias recorrentes. Isso acontece porque a uretra feminina sofre microtraumas normais durante o sexo vaginal, se tornando mais vulnerável à instalação de bactérias. Outra razão para as relações sexuais representarem um fator de risco é que o pênis pode transportar a E.coli de outros locais para a vagina com facilidade.

Segurar a urina com frequência

Ter o costume de “segurar a urina” por muito tempo está associado a infecções urinárias recorrentes. Esse adiamento voluntário da micção faz com que a bexiga permaneça frequentemente cheia. Assim, muitas bactérias que deveriam ir embora pela urina, acabam ficando por mais tempo em contato com o trato urinário, podendo causar a infecção.

Higiene inadequada

A limpeza incorreta da região íntima, seja no banho ou após a ida ao banheiro, pode favorecer o aparecimento de infecções. Isso porque a proximidade entre a uretra vaginal e o ânus é o que favorece a passagem bacteriana que dá origem à infecção e, muitas vezes, essa migração ocorre pela prática inadequada de higiene.

Menopausa

As alterações hormonais provocadas pela menopausa podem modificar as bactérias vaginais, aumentando o risco de infecções no trato urinário. Depois da última menstruação da vida ocorre uma diminuição expressiva do estrogênio, que, por sua vez, leva a diminuição do glicogênio, afinamento do epitélio e alcalinização da vagina. Essas alterações predispõem a mulher a ter infecções no trato urinário com mais frequência.

Gestação

As infecções urinárias são frequentes durante a gestação. Isso ocorre porque, na gravidez, há dilatação da pelve uretral, diminuição do tônus muscular dos ureteres e aumento do pH urinário. As alterações hormonais da gestação também podem predispor as gestantes a infecções no trato urinário por razões parecidas com as da menopausa. Todos esses fatores podem promover o crescimento bacteriano.

Uso de espermicidas e diafragmas

A junção de espermicida e diafragma é um método contraceptivo utilizado em mulheres para evitar a gravidez. O diafragma é um aparelho de borracha que cobre o colo do útero, impedindo a chegada dos espermatozoides, enquanto o espermicida é aplicado no diafragma e na vagina, com o objetivo de eliminar os espermatozoides antes mesmo de alcançarem o diafragma.

Entretanto, tal método é pouco utilizado devido ao seu alto risco de causar infecção urinária de repetição. Enquanto os espermicidas podem irritar a mucosa vaginal, o diafragma pode pressionar a uretra e dificultar a expulsão da urina, causando proliferação bacteriana local.

SINTOMAS COMUNS DA INFECÇÃO URINÁRIA

Os sintomas mais comuns de uma Infecção urinária são:

  • Micção frequente;
  • Urgência para urinar;
  • Urina com sangue ou escura;
  • Sensação de queimação ao urinar;
  • Dor nos rins (parte inferior das costas);
  • Dor na região da bexiga.

Em casos de identificação com um ou mais sintomas, é recomendado procurar o pronto atendimento para o devido exame e diagnóstico o mais cedo possível.

COMO PREVENIR INFECÇÕES URINÁRIAS DE REPETIÇÃO

Há diversas maneiras de evitar que uma infecção urinária ocorra ou se torne recorrente. As formas de prevenção incluem:

  • Manter um bom consumo de água: o consumo de ao menos 2 litros de água por dia mantém a o trato urinário funcionando e evita o acúmulo de bactérias maléficas que podem causar infecções;
  • Urinar sempre que sentir vontade: associado à dica anterior, é fundamental ir ao banheiro sempre que sentir vontade para eliminar as bactérias da bexiga, evitando o acúmulo que gera a infecção;
  • Urinar imediatamente após relação sexual vaginal: o contato entre órgãos íntimos durante a relação sexual provoca transferência bacteriana, portanto, para evitar infecções, é sempre importante urinar para eliminar quaisquer bactérias;
  • Evitar o uso de sabonetes ou cosméticos inapropriados para limpeza genital: tais produtos podem comprometer o pH vaginal, cuja manutenção é importante para impedir o crescimento bacteriano inadequado que pode provocar infecções;
  • Não limpar a vulva de trás para frente depois de usar o banheiro: pois isso pode levar as bactérias do ânus para a vagina;
  • Evitar duchas vaginais: pois podem irritar a vagina e a uretra, facilitando a entrada e colonização de bactérias no trato urinário.

Com essas medidas preventivas, é mais fácil encerrar o ciclo de infecções urinárias de repetição. Entretanto, é recomendado buscar orientação médica individualizada do urologista ou ginecologista de confiança.

VEJA TAMBÉM: 5 DICAS DE REMÉDIO NATURAL PARA INFECÇÃO URINÁRIA

ALIMENTOS NÃO RECOMENDADOS NA INFECÇÃO URINÁRIA

Os sintomas de uma infecção urinária podem ser exacerbados por certos alimentos, como bebidas que contém cafeína, alimentos com vinagre, alimentos picantes, álcool e certos adoçantes artificiais.

Os refrigerantes, por exemplo, são apontados como uma péssima escolha para quem sofre com infecções urinárias recorrentes. Um estudo mostrou que mulheres com ingestão recente de refrigerante, particularmente refrigerante diet com cafeína, apresentaram maiores escores de sintomas de infecção urinária e progressão da infecção.

Refeições muito apimentadas, como comida indiana, mexicana e tailandesa, parecem piorar os sintomas da infecção urinária, de acordo com um estudo. Entre os componentes da pimenta, a capsaicina parece ser o causador da exacerbação dos sintomas da infecção urinária.

COMO TRATAR INFECÇÃO URINÁRIA DE REPETIÇÃO

Acompanhe abaixo as principais formas de tratamento para infecção urinária de repetição:

Antibióticos

O primeiro recurso terapêutico para infecções urinárias é o antibiótico, pois a infecção urinária tem origem bacteriana, portanto é importante entrar com um medicamento a fim de controlar a proliferação dessas bactérias.

Entretanto, existem outras alternativas disponíveis que podem ser combinadas com esse recurso. Essas outras opções de tratamento reduzem a exposição aos antibióticos, evitando que as bactérias se tornem resistentes a eles. Essa resistência bacteriana pode ser comum no cenário de infecções urinárias subsequentes, por isso é importante associá-los ao tratamento.

Cranberry

O cranberry tem sido utilizado por várias décadas para a prevenção e tratamento de ITUs. Esse fruto vermelho pode ajudar a reduzir as infecções urinárias de repetição devido a uma substância conhecida proantocianidina, que pode reduzir a adesão de bactérias na vagina.

Um estudo mostrou que um coquetel de suco de cranberry foi capaz de estimular uma atividade antiaderente contra bactérias. Isso nada mais é do que impedir que as bactérias se “colem” nas paredes da bexiga. Esse achado demonstrou que o cranberry pode ser útil no controle de infecções do trato urinário.

LEIA MAIS SOBRE OS BENEFÍCIOS DO CRANBERRY PARA INFECÇÃO URINÁRIA: cranberry

Suplementos probióticos

Probióticos são microrganismos benéficos que podem proteger o organismo contra infecções do trato urinário. Há uma grande diversidade de probióticos que podem colonizar a flora vaginal e atuar na prevenção de infecções do trato urinário.

Estudos sugerem que os probióticos podem ser importantes para prevenir ITUs recorrentes em mulheres, além de terem um bom perfil de segurança. Um deles verificou que os lactobacilos podem ser especialmente úteis para mulheres com história de infecções recorrentes do trato urinário. Os probióticos não causam resistência como os antibióticos.

Alimentos fontes de probióticos

Iogurtes, bebidas lácteas, kefir e alimentos fermentados em geral são excelentes para manter a microbiota vaginal equilibrada e protegida. Um estudo realizado com o consumo de produtos lácteos fermentados contendo bactérias probióticas foi associado a uma diminuição do risco de recorrência de infecções urinárias.

Frutas cítricas (Vitamina C)

Reforçar o consumo do suco de frutas cítricas, como laranja ou limão, parece ajudar a melhorar o quadro de infecção urinária. Um estudo envolvendo 4.145 homens e mulheres mostrou que a ingestão de suco de frutas cítricas foi associada a uma redução de 50% nos sintomas do trato urinário.

Acupuntura

Um estudo avaliou o efeito da acupuntura na prevenção de infecção recorrente do trato urinário inferior em mulheres adultas. O resultado foi de que 85% das mulheres se livraram da infecção durante o período do experimento, demonstrando que a acupuntura parece uma alternativa válida na prevenção de ITU recorrente. Outro estudo também verificou a eficácia da acupuntura no tratamento da infecção urinária e mostrou que essa terapia foi capaz de reduzir a taxa de recorrência da cistite pela metade.

QUANDO PROCURAR UM MÉDICO

Todo quadro de infecção urinária deve ser tratado com orientação médica - especialmente ao se tornar recorrente, pois significa que o antibiótico anteriormente utilizado pode não estar mais fazendo efeito e será necessário uma mudança importante no tratamento, que deve ser acompanhada pelo médico urologista ou ginecologista.

Toda mulher que já sofreu com uma infecção do trato urinário sabe como é ruim!

Felizmente, hoje as descobertas científicas sobre os benefícios do cranberry para infecção urinária são mais consistentes. É por isso que a Ocean Drop formulou oCranberry em cápsulas, que possui cranberry em pó, vitamina C, vitamina A zinco, selênio e vitamina E. Tudo escolhido cuidadosamente para melhorar o funcionamento do sistema imune, protegendo e mantendo uma boa saúde urinária feminina.


Referências

Foto de Rafaela Fürst Galvão

Conteúdo criado por especialista:

Rafaela Fürst Galvão

Nutricionista

Este artigo foi escrito por Rafaela Fürst Galvão, nutricionista (CRN 10 – 11807), formada pela Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL) e também em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela ESPM-SUL. É pós-graduada em Nutrição Comportamental e Clínica pela Faculdade Uniguaçu. Atua há 9 anos com comunicação e produção de conteúdo em saúde, unindo nutrição clínica ao compromisso de tornar o conhecimento científico mais acessível e relevante para a população.

Saiba mais sobre Rafaela Fürst Galvão