Atualizado em 03 de Julho de 2025

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Hipersonia: o que é, causas, sintomas e como tratar

Ilustração sobre hipersonia
Ilustração sobre hipersonia

A hipersonia, ou sonolência excessiva diurna, pode ser confundida com o cansaço causado por noites mal dormidas ou estresse. No entanto, ao contrário dessas situações pontuais, ela persiste mesmo após uma noite de sono completa e pode estar ligada a distúrbios mais graves.

Leia abaixo e descubra tudo que você precisa saber sobre hipersonia: o que é, causas e tratamento.

O que é hipersonia?

A sonolência é uma resposta natural do corpo, que ocorre à noite ou após momentos de esforço físico e mental, como uma forma de repor as energias.

A hipersonia, ou sonolência excessiva, é um sono intenso que continua mesmo após uma boa noite de descanso, causando cochilos involuntários e dificuldade para ficar acordado durante o dia. Isso pode prejudicar o rendimento nos estudos, no trabalho e nas relações, além de aumentar o risco de acidentes.

Por muito tempo, a hipersonia foi associada a depressão, apatia ou um traço de personalidade. No entanto, trata-se de uma condição biológica que não deve ser confundida com cansaço comum, que surge após desgaste físico e melhora com o descanso. Essas condições podem ocorrer juntas e, quando persistem, podem indicar problemas de saúde mental ou agravar o quadro.

Quais são as causas da hipersonia?

Um quadro comum de sonolência durante o dia, que todos provavelmente vivenciam em algum momento, costuma acontecer após uma noite mal dormida ou em períodos de estresse. Normalmente, essa sensação desaparece assim que o padrão de sono é regularizado.

Já a sonolência diurna excessiva, ou hipersonia, as causas são mais complexas, muitas vezes ligadas a alterações neurológicas ou distúrbios do sono, confira as principais:

  • privação crônica de sono: dormir menos do que o corpo precisa, muitas vezes devido ao uso de eletrônicos, excesso de trabalho, estudos e vida social intensa, está sendo fortemente relacionado como um fator desencadeante da hipersonia;
  • apneia obstrutiva do sono (SAHOS): atinge 2 a 4% das pessoas, especialmente homens acima de 40 anos e com sobrepeso. Ocorre quando a respiração é interrompida durante o sono, causando despertares frequentes e, consequentemente, cansaço e sonolência durante o dia;
  • narcolepsia: uma condição rara que causa sonolência extrema, sono de má qualidade, às vezes, perda de força muscular. Pode aparecer na juventude e tem forte origem genética, mas também pode ser desencadeada por fatores de estresse;
  • Síndrome das Pernas Inquietas: provoca desconforto nas pernas e uma necessidade incontrolável de movê-las, especialmente à noite, dificultando o adormecer e/ou piorando a qualidade do sono;
  • distúrbios crônicos do ritmo circadiano: alterações fisiológicas e hormonais no “relógio biológico” que regula o sono. Podem ocorrer em decorrência de um trabalho noturno, viagens com troca de fuso horário (jet lag) ou padrões irregulares de sono.
  • uso de drogas e medicamentos: alguns remédios, como calmantes, antidepressivos, antialérgicos e remédios para convulsões, podem causar sonolência excessiva;
  • hipersonia idiopática: distúrbio raro em que a pessoa sente um sono intenso e prolongado, mesmo dormindo o suficiente. Surge, geralmente, por volta dos 25 anos e tem origem em alguma desordem do sistema nervoso central.

Como descobrir se tenho hipersonia?

A hipersonia idiopática tem sintomas​ bastante característicos, que podem auxiliar no diagnóstico e descartar a possibilidade de ser apenas uma fadiga comum:

  • cansaço excessivo anormal e sem motivo aparente;
  • dificuldade de concentração nas atividades do dia a dia, como trabalho e estudos;
  • sensação de sonolência constante, mesmo após uma boa noite de sono;
  • não apenas vontade, mas necessidade frequente de cochilos diurnos.

Pessoas que apresentam condições como TDAH e transtornos do humor como depressão, podem apresentar mais chances de desenvolver hipersonia. Entretanto, para se obter o diagnóstico de hipersonia idiopática, é necessário avaliação médica.

A avaliação clínica e assistência médica para hipersonia​ é o primeiro passo e envolve a análise do histórico de sono do paciente por um profissional capacitado, que deve identificar padrões de sono e vigília, presença de distúrbios psiquiátricos, doenças neurológicas, uso de medicamentos, álcool e outras substâncias que possam afetar o sono.

Outra ferramenta muito utilizada é o diário do sono, uma forma simples e eficaz para monitorar os horários de dormir e acordar, a qualidade do sono, eventuais despertares noturnos, cochilos diurnos e o uso de medicamentos. Essas informações ajudam a identificar a hipersonia.

Ainda é possível realizar testes de hipersonia, como Escala de Sonolência de Stanford (ESS), que avalia o nível de sonolência no momento do teste, ou a Escala de Sonolência de Epworth (ESE), que mede a propensão ao sono em diversas situações cotidianas. Esses testes precisam passar por uma avaliação profissional para se tornarem válidos.

Tratamentos para hipersonia

O tratamento para hipersonia deve sempre focar na causa principal que está trazendo esse desequilíbrio. Quando o problema é a falta de sono, medidas de higiene do sono são essenciais para melhorar a qualidade e a quantidade de descanso.

Em casos de Apneia Obstrutiva do Sono, cuidados como perder peso, dormir de lado e tratar problemas respiratórios e de refluxo é o mais adequado. Enquanto nos casos de narcolepsia, o tratamento envolve higiene do sono, cochilos programados e medicamentos estimulantes.

Já para a Síndrome das Pernas Inquietas, recomenda-se atividade física regular, suplementação de ferro quando necessário e a suspensão de medicamentos que agravam os sintomas. O tratamento também pode incluir o uso de remédios dopaminérgicos, como levodopa, pramipexol e ropinirol, além de opióides e clonazepam.

No quadro de hipersonia idiopática, o controle é feito com o uso de estimulantes, que aumentam o estado de alerta e reduzem o tempo de sono. Esses medicamentos melhoram o desempenho, o humor e a cognição, mas não são indicados para pessoas com problemas cardíacos, glaucoma, hipertireoidismo, transtornos psiquiátricos não controlados ou em uso de certos antidepressivos.

Alguns suplementos vêm sendo estudados na busca de aliados ao tratamento, como é o caso da coenzima q10. Ela é essencial para a produção de energia nas mitocôndrias, as “usinas” das células. Ao otimizar esse processo, a coenzima q10 pode melhorar a disposição e reduzir o cansaço ao longo do dia.

É importante consultar um médico neurologista para entender qual o melhor caminho para cada caso.


Referências

Este conteúdo possui caráter informativo e é baseado em literatura científica. O uso de suplementos alimentares deve ser avaliado por profissional de saúde, especialmente em casos de gestantes, lactantes, pessoas com condições clínicas ou em uso de medicamentos. A rotulagem dos produtos segue as diretrizes regulatórias da Anvisa.

Foto de Joana Mazzochi Aguiar

Conteúdo criado por especialista:

Joana Mazzochi Aguiar

Nutricionista

Este artigo foi escrito por Joana Mazzochi Aguiar, nutricionista (CRN 10 – 10934), formada pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). É especialista em Atendimento Nutricional para Cirurgia Bariátrica e atualmente cursa pós-graduação em Saúde da Mulher e Estética pela VP – Centro de Nutrição Funcional, uma das instituições mais renomadas da área. Seu trabalho é guiado pelos princípios da nutrição funcional e do cuidado integral à saúde feminina.

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