Atualizado em 17 de Novembro de 2025

Criado por Daniella Miranda - Nutricionista

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Cólica na gravidez é normal? Quando se preocupar?

saiba se cólica na gravidez é normal

Sentir cólica na gravidez é uma das queixas mais comuns entre gestantes, especialmente no início da gestação.

Na maioria das vezes, esse desconforto está relacionado às adaptações naturais do corpo para receber o bebê, como mudanças hormonais e expansão do útero. Por isso, em grande parte dos casos é normal sentir cólica na gravidez, principalmente nos primeiros meses

Nos próximos tópicos, você vai entender quando a cólica é esperada e quando ela pode indicar a necessidade de avaliação médica.

Principais causas normais (por trimestre)

As dores de cólica na gravidez podem aparecer em qualquer fase da gestação, mas a causa do desconforto muda conforme o trimestre. Entender essas diferenças ajuda a identificar quando a dor é apenas uma adaptação do corpo e quando merece atenção.

1º trimestre (até 13 semanas): fase de adaptação do corpo e hormônios

No início da gestação, o útero ainda é pequeno, mas já começa a se modificar para acomodar o embrião. Essas primeiras alterações podem gerar:

  • Cólica no início da gravidez semelhante à menstrual;
  • Sensação de pressão na pelve;
  • Gases e constipação intestinal devido ao aumento da progesterona (que deixa o intestino mais lento).

Como tudo está “se ajustando”, é comum a gestante sentir incômodos leves que vão e voltam. Desde que a cólica seja leve, sem sangramento e não progressiva, é considerada fisiológica, ou seja, normal.

2º trimestre (14 a 26 semanas): fase de crescimento do útero e ligamentos

Neste período, o útero cresce mais rápido e começa a ocupar mais espaço na pelve. Isso pode gerar:

  • Desconforto abdominal que vem e vai,
  • Sensação de “fisgada” ao mudar de posição ou levantar rápido,
  • Cólica e dor na lombar na gravidez (pela sobrecarga da coluna).

O desconforto está relacionado ao ligamento redondo, uma espécie de “faixa elástica” que sustenta o útero dentro da pelve.

Quando ele se estica rapidamente (por exemplo, ao virar na cama ou levantar da cadeira), causa uma dor parecida com cólica ou pontada na virilha, o que é esperado nessa fase.

3º trimestre (27 semanas até o parto): fase de preparação para o nascimento

É quando podem aparecer as contrações de Braxton-Hicks, uma espécie de treinamento do útero para o parto. Essas contrações são irregulares, duram pouco e melhoram ao trocar de posição.

Algumas mulheres relatam como cólica forte na gravidez, mas sem ritmo e sem piorar progressivamente.

Sinais de alerta

Embora cólicas leves sejam comuns na gestação, existem situações em que a dor merece atenção.

A cólica deixa de ser considerada fisiológica quando apresenta características como progressão de intensidade, persistência, ou associação com outros sintomas.

  • Cólica acompanhada de sangramento vaginal: pode indicar ameaça de aborto no 1º trimestre ou gravidez ectópica (quando o embrião se implanta fora do útero);
  • Cólica intensa que não melhora com repouso: quando a dor se torna cólica forte, rítmica e progressiva, pode indicar início de trabalho de parto prematuro;
  • Cólica associada à dor lombar e sintomas urinários: pode indicar infecção urinária ou pielonefrite, que são mais frequentes na gestação devido às alterações anatômicas do trato urinário;
  • Cólica associada à febre: indica um processo inflamatório ou infeccioso e não é compatível com cólicas consideradas fisiológicas da gestação.

Em qualquer uma das situações elencadas acima, a orientação é procurar atendimento médico para investigação e diagnóstico adequado.

Como aliviar a cólica na gravidez?

Algumas estratégias simples podem ajudar a reduzir o desconforto das cólicas durante a gestação. A prioridade é adotar medidas seguras, que promovam relaxamento muscular, conforto e equilíbrio intestinal tais como:

Experimentar medidas de conforto

  • Mudança de posição: caminhar alguns minutos ou deitar-se de lado pode ajudar a reduzir a tensão na região pélvica;
  • Banho morno ou bolsa de água morna: o calor promove relaxamento muscular e melhora a circulação local;
  • Rotina de movimentos leves: alongamentos gentis favorecem o relaxamento da musculatura pélvica e lombar.

Essas medidas auxiliam porque a maior parte das cólicas fisiológicas está relacionada à adaptação muscular e ligamentar do útero ao longo da gestação, especialmente à medida que o crescimento uterino altera a postura e a distribuição de peso.

Cuidar do trânsito intestinal

A constipação é muito frequente durante a gravidez e pode intensificar a sensação de cólica, especialmente no 1º trimestre. Uma alimentação rica em fibras, somada à hidratação adequada, contribui para prevenir esse desconforto.

Incluir nutrientes e suplementos específicos

Além das estratégias comportamentais, alguns nutrientes desempenham funções importantes em processos que podem influenciar o desconforto abdominal - como relaxamento muscular, função neurológica e modulação inflamatória.

A suplementação não é indicada com o objetivo direto de aliviar cólica, mas pode ser considerada para otimizar o estado nutricional materno. Estes nutrientes são:

  • Magnésio - o magnésio participa de um mecanismo que reduz a tensão muscular, o que pode contribuir para menor desconforto em algumas mulheres *.
  • Vitamina B12 - a vitamina B12 é essencial para a formação de células sanguíneas e para o funcionamento adequado do sistema nervoso, processos de grande relevância na gestação *;
  • Ômega 3 - o ômega 3 participa da modulação de processos inflamatórios, do desenvolvimento neurológico fetal e na gestação, está associado a redução do risco de parto prematuro *.

Quando falar com um médico?

Embora cólicas leves sejam esperadas durante a gestação, existem situações em que a dor deixa de ser considerada fisiológica e passa a exigir avaliação profissional.

O principal ponto de atenção é a mudança no padrão da dor: quando ela se torna forte, progressiva ou vem acompanhada de outros sintomas.

As seguintes situações requerem avaliação médica imediata:

  • Cólica forte na gravidez, persistente ou que não melhora com repouso;
  • Cólica e sangramento na gravidez;
  • Cólica associada à dor lombar e sintomas urinários;
  • Cólica acompanhada de febre.

A orientação geral é: cólica leve, que vai e volta, sem outros sintomas, é comum; cólica intensa ou associada a outros sintomas, deve ser investigada por médico.

A cólica na gravidez pode ser um desconforto normal, principalmente nos primeiros meses, quando o corpo passa por adaptações hormonais e o útero começa a crescer.

Porém, quando intensa, persistente ou surge junto de sangramento, febre, dor lombar importante ou alterações urinárias, é importante procurar orientação médica para avaliação adequada.

Referências

Daniella Miranda, Nutricionista (CRN2 17408), formada pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA). É pós-graduada em Nutrição Esportiva Funcional pela VP, Mestre em Hepatologia pela UFCSPA e Doutoranda em Gastroenterologia e Hepatologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Pós-graduada em Nutrição Esportiva Funcional